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Don't say a
word
01 - Me ensine a falar |
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O que você considera estranho? Ou talvez impossível de acontece? Eu apenas digo que é diferente, incomum, concluo que nada nesse mundo é impossível. Mississip Town era uma pequena cidade no oeste do continente, nela vivia Jullian Mounty, estudante do 2º grau da escola St. Michel, ele era relativamente alto, cabelos castanhos com mechas escuras, pele clara e lindos olhos azuis. Hoje era mais um dia qualquer de aula, a escola não era muito longe de sua casa, mas Jullian gostava de sair um pouco mais cedo de casa para apreciar a paisagem.Mississip Town era uma cidade magnífica apesar do seu tamanho, as casas passavam calma com suas cores, não havia cercas nem muros, o trânsito era extremamente tranqüilo comparado com as megalópoles de todo planeta.O dia estava diferente, o céu estava cinza em cima do jardim de margaridas da casa de Jullian. _Humm... Parece que vem chuva por aí, vou ter que me apressar. Mal ele acabou de falar, e uma fina chuva começou a cair. _Humpf, eu e minha boca, é melhor eu ir andando, não vai adiantar corre mesmo?! Jullian era o típico estereótipo de pessoa atrapalhada, quase tudo em sua vida era um desastre, o que acabou fazendo com que ele se tornasse um rapaz tímido e de poucas palavras com quem ele não conhecia e até mesmo com seus amigos, os poucos que ele possuía. A escola St. Michel era um educandário misto, possuía um ótimo conceito entre as outras escolas, seus alunos eram os melhores. Sua entrada era ricamente detalhada com leves tons de amarelo com colunas e uma grande escadaria em mármore branco. Como já era de se esperar, Jullian chegou a escola completamente molhado. _Droga... É melhor eu me secar logo a aula já vai começar logo, é melhor eu me secar no terraço. Ele subiu ao terraço, era um lugar que poucos tinham acesso e muitos outros nem ao menos sabiam que existia .Mas dessa vez havia alguém lá. _Ah, me desculpe, eu não sabia que tinha alguém... Ah!... Olá Cindy, é você?! _Bom dia Jullian, tudo bem pode ficar, pelo menos eu tenho companhia enquanto a aula não começa. Cindy Crystal era uma linda jovem, diferente de todas que Jullian já havia visto em sua vida inteira, tinha um corpo lindo seus cabelos eram incomparáveis, rosa e branco, seus olhos vermelhos, eram os únicos em todo planeta, por coincidência ou obra do destino, Cindy era vizinha de Jullian. Os dois passaram quase todo tempo calados, quebrando o silêncio apenas o comentário do garoto sobre o tempo, a menina concordou. _Cindy, você parece triste hoje!_Disse o garoto. _Pois é, estou como o céu hoje, mas nós não podemos ser felizes sempre, não é Jullian? O sinal da escola tocou interrompendo a excitante conversa dos dois, mas já era pra se comemorar, fazia tempo que Jullian não se sentia tão bem perto de alguém. Vamos combinar, toda escola já havia percebido que ele olhava de uma maneira diferente para Cindy, mas isso é segredo, não conte para ele. Combinados? O sinal da escola tocou mas os corredores que costumavam estar sempre cheios, estavam quase desertos, tirando um ou dois alunos do 3º grau e um membro do clube de xadrez, na sala dos dois havia no máximo 15 alunos, mas eles nem ligaram muito.O professor entrou, era um velho que não parecia ser muito feliz, Timothy Scarlet mestrava as aulas de aritmética, mal entrou na sala e já encheu a lousa com exercícios. _Façam!_Foi apenas o que ele disse. _Ai, queria que alguma coisa parasse essa aula._Resmungou Jullian. _Deseja compartilhar alguma coisa com a turma senhor Jullian?_Esbravejou o professor. Antes mesmo que pudesse abrir a boca para responder, todas as janelas da sala fecharam com força, a porta bateu e as luzes se apagaram, mas já não se podia ver nada na sala quando o alarme de incêndio tocou, todos correram pra porta, mas apenas se ouvia o barulho de carteiras caindo pessoas trombando e gritando até que alguém abrisse as portas e os alunos saíssem desesperados, os professores se trombavam nos corredores e perguntavam uns aos outros o que estava acontecendo. _Calma, todos fiquem calmos, parece que houve uma pane nos circuitos elétricos da escola._ Gritava a diretora da escola enquanto tentava abrir caminho por entre os alunos alvoroçados._Estão todos liberados por hoje!_Ela concluiu. Os alunos, agora mais calmos, saiam pela porta da frente. O professo Timothy cruzava os alunos até chegar a diretora que estava postada em frente a escola vendo os adolescentes indo embora. _O que aconteceu diretora? _Nem mesma eu sei Timothy, nem eu sei o que houve..._ela respondeu colocando a mão na cabeça e suspirando. _Ei Jullian, espere!_Cindy abanava a mão para Jullian da escada do colégio._Será que podemos ir juntos?... Digo, já que somos vizinhos... _Ah, claro. _Legal... Quer dizer, que bom. Os dois começaram a andar juntos até suas casas, mas sem trocar nenhuma palavra, cabeças baixas, livros nos braços, mochilas nas costas, as ruas vazias, as casas coloridas e o céu fechado. _Estranho o que aconteceu hoje, não é mesmo? Fiquei assustada. _Pois é, também achei estranho._Jullian ficou vermelho e abaixou mais ainda a cabeça. Os dois se calaram de novo, mas Cindy resolveu quebrar o silêncio. _Nós somos vizinhos há bastante tempo né? _É, acho que desde sempre. _Engraçado, hoje foi a primeira vez que tivemos uma conversa que não fosse monossilábica. Cindy pegou na mão de Jullian como um reflexo suave de seu corpo, os dois pararam um de frente para o outro no meio da rua, o céu se abriu sobre eles por alguns segundos. _Me desculpe...é...eu não tive a intenção!_Cindy levou as duas mãos a boca deixando seus livros caírem no chão, ele logo abaixou para ajudá-la a recolher seus pertences até suas mãos se tocarem de novo, os rostos dos dois pareciam grandes painéis pintados em vermelho. _Eu tenho que ir! Ela correu até sua casa entrando e trancando rapidamente a porta, e se desmontou encostando e escorregando pela porta. O céu se fechou de novo, e a chuva caia novamente sobre Jullian, que estava parado no meio da rua com a expressão de alguém que queria dizer alguma coisa e o rosto vermelho não deixou. _AH DROGA!...Parece que alguém gosta que eu me molhe, é melhor eu ir para casa, ou vou pegar um resfriado. E assim ele passou de novo pelas margaridas do jardim, entrou em sua casa e esperou mais um dia começar. |