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Falling Down
01 - Appointment Killers |
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Em um beco
sujo, em uma cidade fria, havia um homem caído no chão. Sua face
estava grudada no asfalto pelo sangue que escorria de sua boca. Suas
vísceras pendiam para fora de seu abdômen e dor agora não era sua
maior preocupação. De pé ao lado dele estava parada uma pequena
garota, de mais ou menos nove ou dez anos, que olhava sem nenhuma
pena para o pobre homem esturricado a sua frente. A garota
chamava-se Suzzane. Ela usava um vestidinho preto de rendas na
ocasião, tinha seus cabelos vermelhos presos dos dois lados por uma
fita violeta, e na mão possuía um grande facão, agora sujo de
sangue. Sua face não expressava dó nem compaixão, afinal, fora ela
quem provocara os graves ferimentos no homem. A ordem que recebera,
por mais que incomum fosse, havia sido bem clara: “Não o mate”, e
assim fora feito. Nesse momento um celular tocou, era o da vítima.
Suzzane se aproximou do corpo, pegou o celular de dentro da mala
executiva e, atendendo-o, disse: — Está feito. — Ótimo – a voz do outro lado da linha era de outra garota – Venha para o lugar que combinamos, as outras já chegaram! — Martina, por acaso você sabe por que não devo matar o presidente? — Eu lá sei de alguma coisa? Só quem sabe é O Mandante. Faça o que ele pediu e venha pra cá. — Estou indo! – dizendo isso desligou o celular e colocou-o dentro da boca do homem. Com um pano manchado de sangue limpou o enorme facão como se fosse o seu mais precioso diamante até que a lâmina estivesse brilhando e seguiu adiante, indo pra fora do beco. Logo à frente havia uma motocicleta parada, e montada nela estava outra garota, um pouco mais velha que Suzzane. Essa se chamava Arabelle, tinha os cabelos curtos como os de um garoto e usava óculos de piloto acima da cabeça. — Quanta demora Suzanne! Seus trabalhos um dia já foram mais rápidos. – disse Arabelle. — Não se estresse. Só queria me divertir um pouco. Aliás, Martina ligou pra dizer que já estão nos esperando no lugar de sempre. — A é? Quem será que é dessa vez? Tomara que seja alguém bem importante! Não me contento com medíocres arruaceiros. — Contente-se com o que for. Você é paga pra isso. – alertou Suzzane. — Sim. A Sig está doidinha pra agir. – Sig era como Arabelle chamava sua bazuca. Suzzane subiu na motocicleta junto com Arabelle e juntas partiram para o encontro marcado. A cidade em que estavam chamava-se Belina e era toda escura e deserta. Belina era famosa pelas histórias que contavam sobre lá ser uma cidade onde se realizavam acordos criminosos e que só as pessoas com antecedentes criminais freqüentavam-na. E tais histórias eram realmente verdadeiras. Não importava o crime: corrupção, desvio de verba, assassinato ou até adultério... Todos faziam parte de Belina. Nessa manhã escura, Suzanne havia matado o presidente de uma famosa empresa televisiva que estava sendo acusado de ter desviado milhões de dólares para sua conta no exterior; dólares esses que deveriam ser usados na criação de um novo setor jornalístico no canal de TV. Mas isso não fora feito, e o culpado foi devidamente punido. Suzzane e Arabelle agora passavam de moto pela fachada de um grande e gasto estabelecimento, onde varias outras pessoas se movimentavam. Arabelle estacionou seu veiculo junto com os outros em um pequeno estacionamento lateral e em seguida as duas se juntaram à multidão que estava entrando. Logo no hall de entrada Suzanne avistou uma conhecida: — Estou vendo a Martina. Uma garota de treze anos, relativamente alta, acenava freneticamente para elas no meio da multidão à frente, perto de uma porta. Ela tinha cabelos bem compridos e loiros e usava óculos grandes demais pro seu rosto fino. Sua roupa era formada por uma simples camiseta rasgada e um jeans sujo. Com mão que não estava sendo balançada ela carregava um laptop. As duas tentavam passar pela multidão e tentar chegar até ela, e só depois de muito esforço conseguiram. — Que caos no Bacco hoje! – disse Martina – Ainda não me conseguiram uma extensão. Sem meu PC não podemos começar. — Ta todo mundo aí? – perguntou Arabella, ansiosa. — Sim! Menos a Hellena que ainda ta em missão. — Ela nunca aparece mesmo – praguejou Suzzane, que não gostava de Hellena – Vamos entrar logo porque eu não agüento mais esperar. As três garotas entraram pela porta onde Martina estava. A sala do outro lado da porta era um tanto pequena, mas extremamente aconchegante. As paredes eram cobertas com tapeçarias distintas e o chão era revestido por um carpete vermelho-sangue. Em três paredes havia lindos sofás de couro preto e na parede inferior, onde a porta ficava, havia uma mesa onde Martina colocou o laptop. Havia uma garota em cada sofá. Suzzane e Arabelle sentaram-se ao lado de cada uma e Martina ocupou-se da cadeira frente à mesa dizendo: — Enquanto a extensão não chega, podemos conversar. O Bacco hoje ta lotado! Isso é que é disposição para o crime. — Eu diria o mesmo – respondeu uma das garotas. Essa tinha os cabelos castanhos e encaracolados que lhe caíam pelos ombros e usava um vestido de rendas roxo. Chamava-se Fiorella. – Nunca estivemos em tão boa época como essa! — Não acho – disse uma das garotas, que se chamava Gabrielle. Ela tinha os cabelos curtos e cinzentos – Na época do Massacre 23 tudo correu muito bem e lucramos muito. — Ah, ate que enfim! – nesse momento um homem de preto apareceu na porta e entregou para Martina a ponta de um fio que ela conectou na parte traseira de seu laptop. Imediatamente a tela ligou. O homem deu meia-volta e saiu, fechando a porta. Finalmente ia começar a reunião. Martina abriu um programa chamado “Connus”, que iria estabelecer um contato direto, via áudio, com O Mandante: ![]() Um segundo depois o programa conectou e uma voz distorcida digitalmente pôde ser ouvida: — Contato estabelecido. Olá, Appointment Killers. — Olá, Mandante – disseram todas em coro. — Suzzane, fez o serviço? — Devidamente, senhor – respondeu ela – Não o matei, embora quisesse. — Temos nossas razões. Agora quero falar com vocês sobre a próxima vítima. Não poderei citar o nome, mas a foto é essa – em uma tela lateral do computador, apareceu uma foto de um homem sério que usava um terno preto e tinha uma pele muito pálida – Ele é presidente dos Estados e não preciso lhes dizer a causa da morte. Agora ele está aqui em Belina comprando armas pesadas de um charlatão italiano na Rua 13. — Quantas e quais de nós iremos? – perguntou Gabrielle, a de cabelos brancos. — Todas vocês! – nesse momento elas se olharam assustadas – Ele anda com treze guarda-costas ao seu redor, porque é muito fraco: sofre de falência múltipla dos ossos. Quero que a Suzzane dê o fim nele. Martina dá o primeiro golpe, eletrocutando-lhe as pernas, e depois Suzanne quebre todos os ossos antes de retalhar. Enquanto isso as outras tomam conta dos comparsas. — E a Hellena? – perguntou Fiorella, jogando seus cabelos encaracolados para trás. — Ela ainda está em missão para mim – respondeu o Mandante – Esqueçam Hellena e vão agora. Aproveitem que o hall do Bacco está vazio e todos estão em suas salas. Exijo sucesso. – dizendo isso a tela do programa escureceu e a conexão foi perdida. — Vamos garotas! – Martina guardou o laptop em uma mala e pegou seu enorme porrete elétrico. As outras seis assassinas pegaram suas devidas armas e, com as mãos sedentas por sangue, saíram do Bacco para a nova e excitante missão. |